Dicas do console

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Setup dos braços: evitando colisão no docking

Apresentação: Dra Helizabet Salomão·Entrevistado(a): Dr Gustavo Barison
Resumo

Colisão de braço quase nunca se resolve durante a cirurgia: ela se resolve antes, no planejamento das portas e no docking. Espaçamento e ângulo definidos no docking evitam a maior parte das colisões. Este episódio descreve a rotina de setup que a equipe usa, o erro que mais se repete e o que a literatura mostra sobre esta fase da cirurgia robótica — que é, medida em sala, a fase mais interrompida de todas.

A dica em uma frase

Espaçamento e ângulo dos braços definidos no docking evitam a maior parte das colisões.

Por que importa

Colisão interrompe o fluxo, custa tempo e desgasta a equipe. E, na quase totalidade das vezes, ela não nasce durante a dissecção: nasce de um docking mal feito, com portas próximas demais ou braços apontando uns para os outros. O tempo que se perde brigando com os braços foi economizado, lá atrás, na hora de marcar a pele.

Há um dado de sala que ajuda a dimensionar isso. Em observação direta de 45 procedimentos robóticos em três hospitais e várias especialidades, o docking foi a fase significativamente mais interrompida de toda a cirurgia, e os pontos críticos identificados foram organização da sala, busca de material, posicionamento do paciente e manobra do robô — nenhum deles um problema de técnica cirúrgica (Cofran, 2022). Em sacrocolpopexia robótica, medindo interrupções de fluxo por hora ao longo de quatro fases, a fase de colocação das portas e docking concentrou 19,2 ± 14,4 interrupções por hora, contra 10,9 ± 5,1 na média do procedimento (Souders, 2019).

Como fazer

Prática do serviço — rotina de equipe, não recomendação com força de diretriz.

  • Respeitar a distância mínima entre portas indicada para a plataforma em uso, sem exceção de conveniência.
  • Procurar o ponto de trabalho confortável de cada braço e angular os braços para longe uns dos outros, não paralelos.
  • Posicionar a porta do assistente fora do arco de trabalho dos braços, e não entre eles.
  • Testar o alcance dos alvos antes de começar, ainda com o paciente posicionado e o robô acoplado: se o alvo mais distante já exige o limite do braço, o problema aparecerá na hora pior.
  • Tratar o docking como etapa com roteiro próprio, com a sala em silêncio de tarefa — é a fase em que a interrupção é mais provável.

O erro comum

Aproximar as portas para facilitar a própria vida na dissecção. Ganha-se conforto nos primeiros minutos e paga-se com colisão constante pelo resto do caso.

O que a evidência sustenta

Sustenta que o docking é uma fase frágil do ponto de vista de fluxo de trabalho, e que a experiência do cirurgião reduz interrupções — cirurgiões mais experientes tiveram 1,8 interrupção por hora a menos (Souders, 2019). Sustenta também que o tempo de setup e docking tem curva de aprendizado própria, mensurável e independente do procedimento, descrita em 192 casos ginecológicos consecutivos (Panico, 2023).

O que a evidência não sustenta: não existe estudo, nestes trabalhos, ligando colisão de braço a complicação da paciente. O que está medido é interrupção de fluxo, tempo e desgaste de equipe. É motivo suficiente para cuidar do docking; não é motivo para prometer desfecho melhor.

Para levar

  • Colisão se resolve no planejamento das portas, não durante a cirurgia.
  • Angule os braços para longe uns dos outros e mantenha a porta do assistente fora do arco de trabalho.
  • Teste o alcance dos alvos antes de começar.
  • O docking é a fase mais interrompida da cirurgia robótica: merece roteiro e silêncio de tarefa.

Referências

  1. 1.Cofran L, Cohen T, Alfred M, Kanji F, Choi E, Savage S, et al. Barriers to safety and efficiency in robotic surgery docking. Surg Endosc. 2022;36(1):206-215. https://doi.org/10.1007/s00464-020-08258-0
  2. 2.Souders CP, Catchpole K, Hannemann A, Lyon R, Eilber KS, Bresee C, et al. Flow disruptions in robotic-assisted abdominal sacrocolpopexy: does robotic surgery introduce unforeseen challenges for gynecologic surgeons? Int Urogynecol J. 2019;30(12):2177-2182. https://doi.org/10.1007/s00192-019-03929-6
  3. 3.Panico G, Mastrovito S, Campagna G, Monterossi G, Costantini B, Gioè A, et al. Robotic docking time with the Hugo™ RAS system in gynecologic surgery: a procedure independent learning curve using the cumulative summation analysis (CUSUM). J Robot Surg. 2023;17(5):2547-2554. https://doi.org/10.1007/s11701-023-01693-w

Revisão científica: Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro (CRM 60.560/SP · RQE 77239)

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Profa. Dra. Helizabet Salomão Abdalla Ayroza RibeiroCRM 85949/SP · RQE 56380 · Ginecologia e Obstetrícia
Prof. Dr. Paulo Ayroza RibeiroCRM 60.560/SP · RQE 77239 · Ginecologia e Obstetrícia